Escolher nunca é fácil. A gente nunca sabe verdadeiramente o que está escolhendo. São apostas. E quando algo está em jogo é mais do que normal ter medo. E também é normal a resistência, o “não quero enfrentar isso” ou o protelar, o “talvez eu não precise enfrentar isso agora”. Significa que nossos problemas são difíceis. Mas nem tudo está perdido, pois não deixamos de querer.
Impressiona-me a sensação de que tudo o que queremos é certo. Nem tudo o que desejamos convém, mas tudo o que queremos, como processo consciente, reflexivo, aquela verdadezinha que às vezes queremos negar ou que em vezes por impulso negamos, nunca se esconde, e sempre volta para nos dizer o que é mais importante e o que devemos fazer.
Mas, escolher de forma consciente é impossível.
Pois escolhemos futuros e os futuros não existem ainda. Tentamos criá-los com nossas escolhas, mas nossas escolhas não são as únicas coisas que os criam.
A maior parte do que queremos escolher não está em nosso controle. Basta apenas ter certeza do que queremos e saber-se, fazendo o seu melhor. O resto é do destino.
Às vezes, o protelar ajuda-nos nestas certezas. Mas não devemos deixar-nos enganar. A procrastinação nunca nos trará o que queremos, calando a voz sabiamente irritante que insiste em nos guiar para nosso melhor.
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Você provavelmente caiu neste texto procurando dicas de como escolher bem.
Eu só tenho esta: uma escolha é melhor do que nenhuma. Ah, mas se eu errar? Se você errar, você saberá que escolheu errado, e terá uma chance de escolher diferente. A maior parte das vezes. E se não der, ok, porque a única coisa que seria impossível, desde já, é desviar da necessidade de fazer escolhas. Evitar as escolhas ou postergá-las também é uma escolha. E, em geral, não é das melhores.