Muitas vezes, pensamos que vulnerabilidade é um sinônimo de fraqueza, principalmente em determinadas ocasiões, quando somos orientados a esconder nossas emoções. Mas a verdade é que a vulnerabilidade pode fortalecer você. Mesmo no dicionário sendo definida como “Característica de algo que é sujeito a críticas por apresentar falhas ou incoerências; fragilidade”, ser vulnerável hoje pode ser encarado como algo positivo.
Para compreender melhor o que significa a vulnerabilidade, a escritora e pesquisadora da Universidade de Houston, Brené Brown, é referência no assunto. Afinal, são longos anos de estudo. Segundo Brown, a vulnerabilidade pode, inclusive, conectar as pessoas. Mas como fazer isso na prática e não sentir vergonha ao expor alguma dificuldade? No decorrer do artigo, compreenda o seu significado e como usar a seu favor.
Direto ao ponto
O que é vulnerabilidade?
A vulnerabilidade é uma qualidade indispensável em nossa vida pessoal e profissional. Ou seja, ela pode ser uma força que está em cada um de nós, cuja finalidade não é mostrar nossas deficiências ou erros, mas sim, a capacidade de reconhecer corajosamente quem realmente somos, bem como reconhecer a necessidade que temos dos outros, de estar conectado, de ser aceito e ser compreendido pelos outros. Portanto, é aceitar as nossas limitações e superar os erros.
Nesse sentido, ela exige que passemos pela vergonha, mas não fiquemos presos nela. Essa atitude parece desafiadora, ainda mais neste mundo em que se busca a perfeição e o sucesso. Por isso, é preciso ter a coragem de nos aceitar como imperfeitos e, assim, enfrentar as dificuldades e progredir.
Brené Brown e os estudos sobre a vulnerabilidade
Como descrito no início do texto, Brené Brown trabalhou durante doze anos fazendo entrevistas, coletando cartas e diários de inúmeras pessoas e acumulando milhares de dados sobre esse assunto. Seu trabalho se concentrou em entender como a vulnerabilidade afeta as relações humanas. De forma resumida, definiu muito bem essa característica: “A vulnerabilidade é a primeira coisa que procuramos nas outras pessoas e a última coisa que queremos mostrar sobre nós mesmos”.
A famosa escritora também trabalhou em si mesma, fez terapia e se surpreendeu com o quanto e como a capacidade de aceitar as imperfeições, em vez de se envergonhar delas, é necessária para se conectar primeiro consigo mesma, e depois, com os outros.
Brené Brown investigou questões que marcam nosso comportamento social: vergonha, coragem e, no cerne de tudo isso, vulnerabilidade. Como ela mesma explica, essa qualidade está na origem de sentimentos como o medo.
Mas medo de quê? Por exemplo, não estar à altura da tarefa: nem na nossa vida pessoal, nem como profissional, o que é definido como síndrome do impostor. A vulnerabilidade também nos faz entrar em pânico com erros, imperfeições e, em última análise, não merecer a conexão com outros.
No entanto, precisamos de vulnerabilidade para viver: a felicidade, a criatividade e o pertencimento nascem disso. Quando dessensibilizamos esse sentimento, não podemos nos mostrar como realmente somos, ou desenvolver todo o potencial que temos dentro de nós.
A maioria de nós tenta se apegar a um ideal de perfeição que não podemos alcançar, e isso gera frustração. Também provoca uma exigência para consigo mesmo que se transfere para os outros, gerando expectativas que nunca poderão ser satisfeitas.
A chave, como explica Brené Brown em seu livro “O poder da vulnerabilidade”, é aceitar-se: somos imperfeitos, mas somos “suficientes”. Só assim seremos pessoas genuínas, autênticas e criativas, capazes de trabalhar em equipe e enfrentar os desafios.
Somos imperfeitos
Como defendido pela escritora, reconhecer-se vulnerável é aceitar que você é imperfeito, deixando de lado filtros e aparências para se mostrar com sinceridade e autenticidade. Quem não tem feridas que não foram cicatrizadas? Quem não viveu experiências de dor e sofrimento? Além disso, aceitar a própria vulnerabilidade implica comprometer-se com uma conexão íntima e verdadeira com os outros, pois somente mostrando-nos como somos, podemos forjar verdadeiros vínculos.
Agora, em um mundo onde prevalecem as aparências, a tirania do positivo, do sucesso e da perfeição, não é fácil lidar com isso, pois não há espaço para erro ou desconforto. É como se fôssemos obrigados a ser super-heróis, a estar sempre felizes e contentes, principalmente diante das redes sociais. Razões pelas quais escondemos tudo o que nos entristece e fere, o que nos faz parecer mais frágeis e menos válidos.
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Portanto, vulnerabilidade não é fraqueza, e quem tem mostrado a sua vulnerabilidade de longe não aparenta ser fraco, mas sim, um ser forte e que está disposto a curar as suas feridas e evoluir. E você, tem mostrado as suas vulnerabilidades?