O que é a liberdade? É uma das coisas que os seres humanos mais valorizam e buscam na vida. Ser livre… Fazer tudo o que queremos? Esse é o primeiro obstáculo com o qual o ser humano se esbarra em algum momento da vida.
Há um tempo para aprender sobre a liberdade e decidir se realmente se quer ser livre.
Sabe quando tem prova de alimento no supermercado (ou quando tinha, antes da pandemia mundial)? Podíamos provar determinado alimento que, se realmente fosse bom e tivesse um bom preço, era colocado no carrinho. Com a liberdade é muito parecido, com a diferença de que não se trata de um produto, mas de uma oportunidade.
Prova-se não um pouquinho, mas um grande bocado dessa oportunidade. É deliciosa, e o desejo é por mais, e o ser humano quer mais tempo para decidir se quer mesmo ser livre. Mas ser livre não é simples? — muitos pensam. Chega o momento da decisão, dentro dessa oportunidade, de dizer não, mesmo quando tudo é permitido.
Monja Coen, no vídeo em seu canal, utiliza a frase de Santo Agostinho de que “a liberdade é fazer até aquilo que você não gostaria de fazer”, para trazer a reflexão de que a liberdade que temos é a da escolha, que o ser humano é livre para escolher, não só aquilo que julga bom no momento presente, mas o que é melhor para si. Confira o vídeo abaixo:
Liberdade em dizer não ou genuína liberdade
Ao fazer uma escolha, o ser humano analisa quais consequências essa escolha terá e se, mesmo diante das consequências, é a melhor decisão para o seu bem-estar.
Essa liberdade em dizer não para determinados caprichos, determinados impulsos, determinados ‘prazeres do presente’ é o que torna a liberdade um grande paradoxo para tantas pessoas.
Ser livre requer a coragem de muitas vezes renunciar a tudo aquilo que se reconhece como prazeroso e “bom”, mas que consequentemente pode trazer consequências desagradáveis.
A busca pelo equilíbrio, algo tão utópico para tantas pessoas, é um dos ingredientes indispensáveis no exercício da liberdade. O mapa e a bússola estão nas mãos, e a pessoa precisa decidir com consciência sobre os próprios caminhos, o que é melhor para o seu desenvolvimento.
Quando se é criança, os pais ou cuidadores a todo momento estão dizendo não! e esse NÃO! tem a finalidade de proteger e de auxiliar o desenvolvimento saudável da criança. Se tudo fosse permitido, se todas as regras pudessem ser quebradas, o resultado seria caótico.
A complexidade é que a pessoa, depois de adulta e aparentemente consciente, precisa se negar, trazer à tona o papel de seus cuidadores na infância, ou seja, o autocuidado está na liberdade em dizer não. E a pessoa não se nega uma, mas várias vezes, e se parar para pensar verá que essas escolhas são desde as mais pequeninas até as mais difíceis.
Imagina só ter que decidir negar a si algo que está ligado quase que totalmente ao emocional? Será preciso recorrer a uma força tamanha da racionalidade para conseguir frear a si diante de uma ação impulsiva. Muito complexo? Talvez, mas trata-se do exercício de ser livre.
O ser humano precisa dizer não em momentos delicados. Para importantes avanços em sua existência, será preciso exercer sua liberdade em dizer não. Será necessário ser firme consigo mesmo e repensar se, afinal, a liberdade humana tem sido exercida de maneira saudável, levando-se em conta o próprio bem-estar físico e mental.
E esse não é a si mesmo, é voltado aos próprios caprichos, às próprias ações impulsivas, àquilo que se considera prazeroso em curto prazo, mas que é reflexo de uma fraqueza e desconhecimento interior.
Pessoalmente, muitas vezes precisei negar as minhas próprias vontades, aquilo que julgava ser o melhor, porque em muitos momentos buscamos nos anestesiar diante de uma transformação interior necessária por meio de pequenas doses de prazeres. Queremos nos sabotar, cortar o caminho, fazer um ziguezague qualquer, como se não houvesse consequências, mas elas vêm.
A liberdade em dizer não pode representar algo mais espinhoso para algumas pessoas do que para outras, mas, apesar da dor, dos espinhos, da dificuldade em se negar muitas vontades, a consequência é o bem-estar, é a verdadeira autonomia sobre si e sobre as próprias emoções.
Não podemos ser livres mentalmente aprisionados
Há uma frase do poeta Rumi que diz: “Por que você permanece na prisão, quando a porta está completamente aberta?”, e essa é uma situação que muitas pessoas experimentam. Inclusive em muitos momentos eu mesma experimentei.
Essa pergunta se dirigia a alguém em condição de liberdade, mas que se mantinha em cárcere por sua própria escolha, ou seja, a pergunta é para quem está exercendo a sua liberdade em dizer não à própria autonomia.
O que leva alguém à rejeição da possibilidade da autonomia? Talvez seja porque, na prisão, a pessoa se sinta confortável e segura, enquanto, na condição de liberdade e autonomia, terá de lidar com quem é, com as vulnerabilidades a partir de sua condição de liberdade.
Sentir-se livre está muito mais relacionado a como a pessoa se sente emocionalmente e mentalmente. A busca pelo autoconhecimento, a busca pela quebra de padrões comportamentais nocivos é fundamental para que o ser humano consiga exercer a sua autonomia e liberdade de escolha.
Você costuma agir impulsivamente ou, diante de uma situação, consegue analisá-la em prol do seu bem-estar, ainda que isso lhe exija ter de dizer não a si mesmo?
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A renúncia é essencial para o avanço em vários momentos na vida. A insistência em algo que não é possível ou que não está se desenvolvendo positivamente pode levar à involução da própria vida, ou seja, é como se a vida estacionasse, não se desenvolvesse para novas colheitas positivas. Você sabe quando é o momento de renunciar? Mais do que isso: você está disposto, no processo da escolha, a perder algumas coisas em prol do seu bem-estar e desenvolvimento?
Negue mais as suas próprias vontades no presente, aprendendo a analisar o contexto da própria vida de maneira crítica, prezando, não pelos momentos de bem-estar, mas pelo bem-estar genuíno, aquele que auxiliará o seu autodesenvolvimento. Exerça a sua liberdade em dizer não… para si.