Gratidão queridos pais, avós e demais ancestrais por terem tecido o meu caminho, imensa gratidão pela imensidão dos seus sonhos que, de alguma forma, são hoje a minha realidade.
Oração dos antepassados – Bert Hellinger
A memória afetiva em relação a minha avó é forte, terna e feliz.
Ana Cândida, avó paterna, era uma senhora de cabelos branquinhos, nascida em 1900 no interior de São Paulo.
Cozinheira de mão cheia. Fazia pães, bolos e biscoitos deliciosos, dentre outros preparados.
O principal ingrediente usado nas “poções mágicas”, chamadas de alimento, era a sabedoria ancestral.
A sua casa era de madeira, varanda decorada com rosas e jasmins, quintal grande, horta, pomar, forno de barro, galinheiro e um enorme pé de jatobá, que podia ser visto de qualquer ponto da cidade, estava sempre cheia de gente. Vizinhos, filhos, noras, netos, amigos, exalando os perfumes de café fresco, pão caseiro e ervas.
Dona Ana Cândida cheirava alfazema. Recebia a todos com abraços aconchegantes.
Dona Ana Cândida cheirava alfazema. Recebia a todos com abraços aconchegantes.
Chegávamos da capital, eu e minha família. Desci do táxi correndo. Entrei e fui em direção ao quintal. Ela estava na porta da cozinha. Gritei: “Vó, eu cheguei!”
Ela me pegou no colo, deu um abraço forte, quente e amoroso.
A sensação foi a de que aquele abraço durou horas. Nesse momento sinto a mesma emoção.
Quando estou cansada ou levemente triste me lembro dessa cena. Tudo fica mais leve e fácil!
Minha avó tinha generosidade sem limites. Raramente ficava com os presentes que ganhava. Fazia questão de dar para outra pessoa. Sua maior lição foi o desapego aos bens materiais. Vivia de modo simples com o auxílio dos filhos mais velhos.
Dedicava tempo pela manhã, ao meio-dia e às dezoito horas, todos os dias, à pratica da solitude. Vibrava amor através de sentimentos e pensamentos para todos que conhecia. Sua religião foi o dom especial de servir às pessoas, sem esperar nada em troca.
Hoje, quando medito, uso ervas medicinais, observo as noites estreladas, sinto o cheiro de terra molhada depois da chuva, tomo chá de hortelã e faço massagem com óleos, me lembro dela.
Sábia anciã. Ensinou o verdadeiro sentido da vida. O valor de um abraço quente e aconchegante. De coração para coração!
Faleceu aos cento e seis anos, há treze anos.
Virou anjo!!! Parte da mulher que eu sou, devo a ela.
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Deixou lindas lembranças, seu comportamento, disciplina amorosa de conexão consigo mesma, acolhimento a todos que se aproximavam dela, força espiritual, sem reclamações, apesar dos vários desafios enfrentados.
Desejo aos meus queridos ancestrais que recebam todo meu amor e gratidão!
As sabedorias ancestrais honram os antepassados como mestres, reconhecendo seus saberes, práticas, experiências, sucessos e desafios.
Observo em atendimentos, palestras e imersões o quanto a memória dos avós pode ajudar as pessoas a reconhecer sua trajetória e missão de vida.
Somos o que somos hoje, porque outros vieram antes de nós. Abriram caminhos, portas, janelas… trazemos em nosso DNA um pouco deles todos, avós, bisavós, tataravós.
Costumo dizer que precisamos reconhecer as heranças saudáveis e nos liberarmos das que pesam, doem. Colocar em nossa mochila pessoal o que é forte e soltar o que não nos pertence.
A Metodologia 4A, desenvolvida por mim e por Antonio Carlos Antunes, amigo e sócio, prioriza o arquétipo do Mestre, como aquele que honra o passado, extrai lições positivas, desapega de tudo o que não serve mais e segue pleno na vida.
Podemos dar abertura ao Arquétipo do Mestre e aos espíritos ancestrais por meio do bálsamo do silêncio. Muitas tradições espirituais reconhecem que a orientação íntima e as experiências transpessoais vêm à tona durante os períodos de silêncio. Nos permite alcançar maior clareza, objetividade e discernimento, qualidades inerentes à sabedoria. Por onde quer que busquemos orientação (interior ou exteriormente), estaremos sempre dispostos a aprender e a ouvir.
I Ching, o Livro das Mutações, nos diz:
… para as mudanças terem êxito, devemos ser como uma grande árvore que criou suas raízes ao lado de um rio. Isto é, necessariamente, equilibrar tanto a quietude (árvore enraizada) como a atividade (rio que corre), ou quietude com movimento”.
Silêncio, quietude mental, emocional e honra aos ancestrais liberam a nossa sabedoria interna.
Deixo algumas práticas inspiradoras:
Dedique um dia inteiro por mês para permanecer em silêncio.
Dedique tempo para honrar a riqueza de suas raízes e de sua herança. Use-as como lembretes visuais dos aspectos “bom, verdadeiro e belo” de sua herança.
A cada mês no dia do seu nascimento, faça algo que nunca tenha feito antes.
Abraço carinhoso!